domingo, 16 de abril de 2017

Retorno

Depois de décadas sumida: voltei u.u com um texto que já até postei no meu Facebook, mas enfim, textinho para refletir.

Vida (título provisório)

Costumava sentir-se grande demais para um mundo tão pequeno, inteiro demais, completo, intenso, complexo, profundo... Tão profundo que se afogou, afundou em seu coração e, dentro das profundezas de sua alma, ele sentiu-se pequeno demais, o seu mundo tornou-se grande demais para sua pequena existência confusa, ele nadou até a superfície e decepcionou-se pois apenas o caos encontrou.
Em meio há tanta destruição ele encontrou uma flor que sobreviveu e resistiu a todo aquele pandemônio, ele a acolheu e a amou, mas ele chovia demais, era tempestuoso demais e seus raios destruíram a flor e ele.
Queimado demais para mover-se sem sentir dor, ele deitou-se em seus mais profundos arrependimentos até que o sol sorriu e o acendeu como nunca, então ele, mesmo ainda queimado, seguiu o olhar brilhante do sol e o acompanhou tropeçando a todo o tempo, persistindo, porém, o calor do sol era demais para suas queimaduras.
Ele caiu em um abismo e os olhos fechou, quando tornou a abri-los encontrava-se em uma sala escura, curado de seus ferimentos, mas completamente perdido.
Ele abriu a porta da sala e deparou-se com o retrato de si próprio há tempos atrás, observou-o, era realmente ele? Aquela pessoa era mais bonita, radiante, inteira, neste momento sentia-se pequeno e desgastado, estava cansado demais para andar, para continuar com o que quer que tenha começado.
Durante esse período sofrido ele teve um motivo para ignorar suas dores e continuar andando, mas naquele momento só via aquela foto que apenas o lembrava de um passado ao qual nunca retornaria.
Ele colocou a mão no bolso e tirou algo, era um espelho, ele observou-se: destruído demais, perdido e sem ideais, "O que eu faço agora?", pensou. Olhou bem para o surgimento cautelosamente esplendoroso da noite selvagem que engolia a luz do dia por inteiro na janela ao lado, lembrou da flor que o deu esperança e o sol que o deu vida.
"Ok.", ele disse. Então ele chutou sua antiga imagem e seguiu em direção ao total desconhecido com apenas seu reflexo no espelho e seu desejo de viver para sentir todas as outras dores, amores e alegrias que lhe poderiam ser oferecidas.